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Dono da Choquei é alvo da PF; entenda a participação de Raphael Souza no esquema

Influenciadores e funkeiros são alvos de ofensiva federal que investiga ocultação de patrimônio via criptoativos, empresas de fachada e apostas ilegais em nove estados

15 de abril de 2026 🔒 Exclusivo assinantes
Dono da Choquei é alvo da PF; entenda a participação de Raphael Souza no esquema

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira, dia 15, a Operação Narco Fluxo, que resultou na prisão do influenciador Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, e dos funkeiros MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, apontados como integrantes de um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 1,6 bilhão. As ações, coordenadas pela 5ª Vara Federal de Santos, ocorrem simultaneamente em São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal."Os envolvidos usavam um sistema para ocultar e dissimular os valores, incluindo operações financeiras de alto valor, transporte de numerário em espécie e transações com criptoativos", afirmou a Polícia Federal em nota oficial.

Como funcionava a estrutura investigada

De acordo com o inquérito, a organização criminosa utilizava uma rede sofisticada para misturar receitas legítimas do entretenimento com recursos de origem ilícita. Empresas de fachada do setor cultural, intermediação por terceiros e operações com criptoativos compunham o mecanismo de ocultação patrimonial. O influenciador Raphael Sousa Oliveira exercia, segundo a Polícia Federal, a função de operador de mídia do grupo. Sua atuação incluía impulsionar conteúdos favoráveis a investigados, auxiliar na gestão de crises de imagem e promover plataformas de apostas e rifas digitais integradas à dinâmica financeira do esquema. A apuração indica que ele recebeu valores diretamente de alvos centrais da investigação, incluindo MC Ryan SP, Tiago de Oliveira e José Ricardo dos Santos Junior. "A defesa técnica de MC Ryan informa que até o presente momento não teve acesso ao procedimento que tramita sob sigilo", declarou o advogado Felipe Cassimiro Melo de Oliveira, ressaltando a "absoluta integridade" do artista e a origem comprovada de suas transações.

Alcance nacional e medidas judiciais

A ofensiva mobilizou mais de 200 policiais federais para cumprir 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão. Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de ativos, sequestro de bens e restrições societárias para interromper o fluxo financeiro e preservar recursos para eventual ressarcimento. Foram apreendidos documentos, equipamentos eletrônicos, dinheiro em espécie e veículos de alto valor. Os suspeitos podem responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, conforme tipificação apresentada pela Polícia Federal.

O papel da influência digital no esquema

A Operação Narco Fluxo traz à tona uma questão estrutural: a instrumentalização de perfis de grande alcance nas redes sociais para fins de blindagem reputacional e movimentação financeira obscura. A página Choquei, com milhões de seguidores, era utilizada não apenas para entretenimento, mas como vetor de legitimidade e amortecimento de crises para integrantes do grupo. Esse modelo — em que influenciadores atuam como "gestores de imagem" de estruturas investigadas — representa um desafio novo para órgãos de controle. A velocidade de disseminação de conteúdo nas plataformas digitais contrasta com os tempos tradicionais de apuração judicial, exigindo adaptação das estratégias de investigação.

Contexto: da Narco Bet à Narco Fluxo

A operação deflagrada nesta quarta é um desdobramento da Operação Narco Bet, iniciada em 2025, que já havia identificado conexões entre o mercado de apostas online, influenciadores e estruturas de lavagem de capital. A continuidade das investigações revela a persistência de mecanismos de ocultação e a sofisticação crescente dos esquemas — agora com uso intensivo de criptoativos e operações transfronteiriças. A inclusão de artistas do funk no centro da investigação também reflete a expansão do escopo: não se trata apenas de apurar crimes financeiros, mas de compreender como setores da cultura de massa podem ser cooptados — conscientemente ou não — para dar aparência de legitimidade a fluxos ilícitos.

O que vem pela frente

Com os investigados presos e os bens constritos, a fase inicial da operação avança para a análise do material apreendido e a oitiva de colaboradores. A 5ª Vara Federal de Santos, responsável pelos mandados, deverá receber nos próximos dias os primeiros relatórios técnicos sobre as movimentações financeiras rastreadas. Para o debate público, a Operação Narco Fluxo reacende discussões sobre regulação de influenciadores, transparência em plataformas de apostas e a necessidade de atualização normativa para enfrentar esquemas que exploram a fronteira entre entretenimento, finanças e tecnologia.

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