Agenda 2026

Mercado Livre investe R$ 57 bi no Brasil em 2026; entenda impactos

A gigante do e-commerce anuncia o maior aporte já feito no país, com foco em logística, marketplace e serviços financeiros — e efeitos que vão além do varejo digital

25 de março de 2026 🔒 Exclusivo assinantes

Leitura: 6-8 min

Em resumo

  • Mercado Livre compromete R$ 57 bilhões para o Brasil em 2026, alta de 50% sobre 2025

  • Expansão prevê 10 mil novos empregos e 14 centros de distribuição, elevando o total para 42 unidades

  • Estratégia prioriza logística, fortalecimento do marketplace e crescimento do Mercado Pago

  • Brasil concentra 52,6% da receita global da companhia e tem e-commerce em 17% de penetração

  • Por que isso importa: o movimento sinaliza confiança no mercado brasileiro e pode acelerar a digitalização da economia, com impactos em concorrência, emprego e inclusão financeira.


O Mercado Livre anunciou um investimento de R$ 57 bilhões no Brasil em 2026, o maior já realizado pela companhia no país. O valor, que representa aumento de 50% em relação aos R$ 38 bilhões aplicados em 2025, reforça a estratégia da empresa de ampliar sua presença no mercado brasileiro — que hoje concentra mais da metade de sua receita global.

Além do aporte, a empresa prevê a criação de 10 mil novos postos de trabalho, elevando seu quadro para mais de 70 mil funcionários no Brasil até o fim do ano. Os recursos serão direcionados a três frentes principais: logística, fortalecimento do marketplace e serviços financeiros.

Logística: velocidade como moeda competitiva

A expansão logística é o pilar mais visível do plano. O Mercado Livre pretende abrir 14 novos centros de distribuição, levando o total a 42 unidades no país e aumentando em 50% a quantidade de CDs com operação Fulfillment — modelo em que a empresa armazena, prepara e envia produtos de vendedores parceiros.

“Provavelmente vamos seguir fortalecendo o Sudeste, pela demanda muito grande [da região], mas abrindo mais CDs fora do Sudeste também, com a visão de trazer velocidade [de entrega] para todo o Brasil”, afirma Fernando Yunes (vice-presidente do Mercado Livre no Brasil) à EXAME.

A aposta em infraestrutura reflete uma corrida por eficiência em um mercado onde a experiência de entrega é fator decisivo de compra. Segundo a companhia, aproximadamente 75% das entregas rápidas já são realizadas em até 48 horas. A estratégia de frete grátis para produtos de menor valor segue como alavanca para aumentar a frequência de compras e atrair novos consumidores.

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Mercado Pago e a expansão do crédito no ecossistema

No braço financeiro, o investimento será voltado ao fortalecimento do Mercado Pago, com foco na ampliação da oferta de crédito para pessoas físicas e empreendedores. A ideia é integrar ainda mais os serviços financeiros à experiência de compra no marketplace, criando um ciclo de retenção dentro do ecossistema.

Yunes diz que o Mercado Livre está confiante na estratégia, mesmo com as taxas de juros elevadas no Brasil. “Os modelos de crédito do Mercado Pago estão super assertivos. A parte de atrasos, de perdas, está totalmente sob controle”, diz o VP do Meli. “A sinergia do ecossistema ajuda na assertividade dos modelos de crédito, então, independente do contexto externo, a gente está confiante que dá para seguir crescendo a carteira com performance controlada.”

A afirmação ganha relevância em um cenário macroeconômico desafiador, onde o custo do crédito ainda limita o consumo de parcelas da população. A capacidade de usar dados de comportamento de compra para calibrar risco pode ser um diferencial competitivo — mas também acende debates sobre concentração de dados e práticas de concessão de crédito.

Brasil como motor global: receita, PMEs e penetração do e-commerce

O Brasil segue como o principal mercado do grupo, responsável por 52,6% da receita total em 2025. No período, a operação local registrou receita líquida de R$ 84,5 bilhões. A empresa também destaca o papel do seu ecossistema para pequenos negócios: ao todo, 5,8 milhões de PMEs e empreendedores utilizam a plataforma no país.

Em 2024, essas operações movimentaram R$ 381 bilhões, valor equivalente a 3,2% do PIB brasileiro, calcula a empresa. O dado ilustra a escala da plataforma como infraestrutura de comércio digital — e também sua influência na formalização e no acesso a mercados para micro e pequenos empreendedores.

A estratégia também mira o aumento da penetração do e-commerce no Brasil, atualmente em cerca de 17%, abaixo de mercados como Estados Unidos (27%) e China (32%). Há, portanto, espaço teórico para crescimento — mas também desafios estruturais, como logística em regiões remotas, inclusão digital e concorrência acirrada com outras plataformas.

“A sinergia do ecossistema ajuda na assertividade dos modelos de crédito” — Fernando Yunes, vice-presidente do Mercado Livre no Brasil

O que está em jogo além dos números

O investimento anunciado para 2026 marca o nono ano consecutivo de aumento de aportes no país e reforça a aposta da companhia na expansão de longo prazo do comércio eletrônico e dos serviços financeiros no Brasil. Mas os efeitos vão além do balanço da empresa.

Em termos de concorrência, a expansão pode pressionar outros players do varejo digital a acelerarem investimentos em logística e crédito, beneficiando o consumidor com mais opções e preços — mas também potencialmente concentrando mercado em torno de grandes plataformas.

No plano social, a geração de 10 mil empregos diretos é positiva, especialmente em regiões que receberão novos centros de distribuição. Resta acompanhar a qualidade desses postos, a distribuição geográfica e o impacto indireto na cadeia de fornecedores e prestadores de serviço.

Por fim, há uma dimensão regulatória: à medida que o ecossistema do Mercado Livre integra marketplace, pagamentos, crédito e logística, aumenta a complexidade de sua atuação sob diferentes marcos regulatórios — do Código de Defesa do Consumidor às normas do Banco Central para instituições de pagamento.

Leia também: Nelson Tanure e Banco Master: o que revela a investigação


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Mercado Livre anuncia investimento de R$ 57 bi no Brasil em 2026. Entenda impactos em logística, crédito, empregos e concorrência no e-commerce nacional.

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