Levantamento com margem de erro de 2 pontos revela desgaste em regiões estratégicas e entre evangélicos; Nordeste e idosos seguem como base de sustentação do presidente
Uma nova pesquisa Quaest Inteligência, encomendada pela Genial Investimentos e registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09285/2026, aponta que a desaprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu para 52%, enquanto a aprovação recuou para 43%. O levantamento, realizado entre 9 e 13 de abril com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais e margem de erro de dois pontos percentuais, sinaliza um desgaste que se concentra em regiões e grupos-chave para a disputa presidencial de 2026.
A primeira leitura dos dados — desaprovação em 52%, aprovação em 43% — sugere estabilidade. Mas a análise da série histórica revela movimento consistente: desde outubro de 2025, a diferença entre reprovação e aprovação ampliou-se em cinco pontos percentuais, sempre na direção de maior desgaste."A pesquisa não mostra um terremoto, mas uma erosão contínua. E erosão, em política, é mais difícil de conter que um colapso súbito."Os dados de março e fevereiro de 2026, também da Quaest, permitem traçar uma trajetória:
Ou seja: três meses de queda progressiva na aprovação, com aceleração na desaprovação. Para um governo que depende de base ampla para governar e projetar candidaturas, esse movimento merece atenção redobrada.
A pesquisa desmonta a ideia de um "Brasil uniforme" na avaliação do governo. As diferenças regionais e demográficas desenham um país dividido — e isso tem implicações diretas para a estratégia eleitoral.Regiões:
Gênero e idade:
Religião — o dado que mais chama atenção:
Esse salto na reprovação entre evangélicos merece análise à parte. Considerando o peso eleitoral desse grupo e sua organização em redes de influência, uma migração de opinião nessa velocidade pode indicar não apenas insatisfação com políticas públicas, mas também reação a posicionamentos do governo em pautas de costumes.
A pesquisa Quaest segmentou os entrevistados por autodeclaração ideológica. Os resultados confirmam a polarização, mas também revelam nuances:
Grupo Aprova Desaprova
Lulista 95% 4%
Esquerda não lulista
86% 9%
Independente
32% 58%
Direita não bolsonarista
8% 90%
Bolsonarista
4% 95%
O dado crucial aqui é o dos independentes: 58% de desaprovação, com aprovação em queda (32%, ante 33% em março). Esse é o eleitorado que decide eleições — e que, pelos números, está se afastando do governo.Na renda, a lógica se repete:
Ou seja: a base de sustentação segue concentrada nas camadas de menor renda — coerente com a histórica base eleitoral do PT —, mas o governo perde terreno nas classes médias, que historicamente funcionam como termômetro de governabilidade.
Dois indicadores da pesquisa merecem destaque por sua capacidade preditiva:
Há, portanto, um descompasso: o eleitor avalia negativamente o passado recente, mas mantém expectativa moderadamente otimista para o futuro. Esse cenário é típico de governos em meio de mandato — e abre espaço para narrativas de "piorou, mas vai melhorar".Sobre reeleição, a pergunta foi direta: Lula merece continuar por mais quatro anos?
Esse índice de 59% contra a reeleição é superior à desaprovação geral (52%), o que sugere que parte dos que avaliam o governo como "regular" ou até "positivo" não necessariamente apoiam um novo mandato.
A pesquisa também questionou se o eleitor foi beneficiado pela isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil — medida anunciada pelo governo como carro-chefe de alívio à classe média.
Ou seja: mesmo com ampla divulgação, a medida ainda não alcançou percepção majoritária entre os beneficiários potenciais. Isso pode indicar falha de comunicação ou, simplesmente, que o impacto financeiro da isenção — embora real — não é sentido como transformador no orçamento familiar.
É importante reiterar: uma pesquisa pontual não define destino eleitoral. Margem de erro de 2 pontos, contexto econômico volátil e eventos imprevisíveis (como crises internacionais ou decisões judiciais de alto impacto) podem alterar rapidamente o cenário.Mas há sinais que merecem monitoramento:
"Pesquisa não é destino. Mas é bússola. E a bússola, hoje, aponta para ventos contrários."
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